TEIA era uma das seis titânides, e a mãe dos três corpos que se movem no céu: Hélio, o Sol; Selene, a Lua; e Eos, a Aurora. Casou-se com o irmão Hipérion, e o casal forma o par que a cosmogonia grega põe na origem de toda a luz que se move. O nome dela liga-se a uma raiz que significa «ver» e «brilhar» — e os gregos entendiam essas duas coisas como uma só, porque acreditavam que os olhos emitem luz.
A mãe dos astros
A linha de Hesíodo sobre Teia é a mesma que apresenta os filhos, e não há como separar as duas coisas: na Teogonia, Teia é aquela de quem nasceram o Sol, a Lua e a Aurora.
E Teia se uniu em amor a Hipérion e deu à luz o grande Hélio (Sol), a clara Selene (Lua) e Eos (Aurora), que brilha para todos os que estão sobre a terra e para os deuses imortais que habitam o vasto céu.
Hesíodo, Teogonia 371 (trad. Hugh G. Evelyn-White, 1914)
Hipérion, o marido, tem nome que significa «o que vai por cima»; Teia, «a divina» ou «a que vê». Juntos são o movimento e a visão — as duas condições de um céu com astros. É a genealogia grega no seu modo mais econômico: os pais não fazem nada, existem para que os filhos possam ser o que são.
A deusa de quem vem o valor do ouro
Teia quase não aparece na poesia. A exceção é notável: Píndaro abre a quinta Ode Ístmica invocando-a, e o que ele lhe atribui não é luz nem parentesco, é a razão de os homens valorizarem o ouro. (O verso vai aqui no original: das quatro coleções de odes de Píndaro, as Ístmicas são as únicas de que o nosso acervo ainda não tem tradução inglesa em domínio público.)
Mãe do Sol, Teia de muitos nomes, é por tua causa que os homens têm o ouro como algo de grande poder acima de todas as outras coisas.
Píndaro, Odes Ístmicas 5.1 (texto grego)
O argumento de Píndaro é sutil e vale explicar: o ouro é precioso porque brilha, e o brilho é dom de Teia. A deusa da visão é, portanto, a origem do valor — o preço das coisas vem de como elas são vistas. É a única passagem da literatura grega em que uma titânide sem mitos recebe uma tese.
Os outros nomes
Píndaro a chama «de muitos nomes», e a tradição de fato lhe dá outros: Eurifaessa, «a que brilha ao longe», que no Hino Homérico a Hélio aparece como mãe do Sol e é entendida pelos comentadores como a mesma Teia sob outro nome. A duplicação de nomes é comum entre as divindades mais antigas — quanto menos mito uma figura tem, mais fácil é que duas tradições locais a chamem de coisas diferentes.
Ao lado de Hipérion, Teia é também associada em algumas fontes à arte de adivinhar por observação do céu. A ligação é natural: quem é mãe dos astros governa o que se lê neles.
A mãe das três luzes
Teia é o caso mais econômico da Teogonia: uma linha de nascimento, uma linha de parto, e nessa segunda linha está metade do céu visível.
E Teia deitou-se em amor com Hipérion e gerou o grande Hélio (Sol) e a clara Selene (Lua) e Eos (Aurora), que brilha sobre tudo o que está na terra e sobre os deuses imortais que vivem no vasto céu.
Hesíodo, Teogonia 371-374 (trad. Hugh G. Evelyn-White, 1914)
★★ **Sol, Lua e Aurora saem do mesmo parto.** Não são três divindades associadas por conveniência: são irmãos, e a mãe é Teia. Ver Hélio, Selene e Eos.
O nome dela, *Theia*, é literalmente «a divina» — o feminino do adjetivo comum para deus. É como se a mãe da luz não tivesse conseguido um nome próprio e ficasse com a palavra genérica.
★ O que Píndaro diz que ela é
Há uma tradição, na Quinta Ístmica de Píndaro, que faz de Teia a deusa por causa da qual o ouro vale o que vale — a que dá às coisas o brilho pelo qual os homens as disputam.
⚠ A passagem está fora do corpus conferível deste site (as Odes de Píndaro não têm tradução inglesa livre em `curadoria/fontes/`), e por isso ela entra aqui **como notícia, não como citação**: não se cita o que não se pode apontar.
Mas a ideia casa com o que Hesíodo diz. Teia é a mãe das três coisas que fazem o mundo ser **visto**, e ver é o que dá valor. O ouro brilha; por isso vale.
A geração em que ela entra
Vale ver a companhia. Teia é uma dos doze filhos de Gaia e Urano, e é nomeada em par com a irmã com quem quase sempre aparece.
Mas depois ela deitou-se com o Céu e gerou o Oceano de fundos redemoinhos, Céos e Crio e Hipérion e Jápeto, Teia e Reia, Têmis e Mnemósine, e a Febe de coroa de ouro, e a amável Tétis. Depois deles nasceu Cronos, o astuto, o mais novo e o mais terrível dos filhos dela, e ele odiava o pai vigoroso.
Hesíodo, Teogonia 132-138 (trad. Hugh G. Evelyn-White, 1914)
«Teia e Reia, Têmis e Mnemósine, e a Febe de coroa de ouro» — os nomes vêm aos pares, no ritmo do verso. ★ E repare no fecho da lista: **Cronos é o último, o mais novo, e Hesíodo já o apresenta odiando o pai.** A guerra está anunciada no verso em que a família termina de nascer. Ver Cronos e Uranus.