CÉOS era um dos seis titãs, filhos de Urano e Gaia. Tem menos mito próprio que qualquer um dos irmãos, e mesmo assim ocupa um lugar central na genealogia grega: casado com a irmã Febe, é avô de Apolo, de Ártemis e de Hécate. O nome dele foi ligado na Antiguidade tardia à ideia de eixo ou de pergunta — «aquele que interroga» —, e é dessa raiz que os comentadores tiraram a ideia de que Céos representa o eixo em torno do qual o céu do norte gira.
Um dos seis
Hesíodo nomeia os titãs varões numa lista corrida, e a posição de Céos é a segunda. A lista inteira vale ser lida: ela é a primeira geração de deuses com nome próprio que a poesia grega registrou.
Mas depois ela se deitou com o Céu e deu à luz Oceano de fundos redemoinhos, Céos e Crio, Hipérion e Jápeto.
Hesíodo, Teogonia 132 (trad. Hugh G. Evelyn-White, 1914)
Os seis são Oceano, Céos, Crio, Hipérion, Jápeto e Crono — este último nomeado logo em seguida, e apresentado como «o mais novo e o mais terrível». Ao lado deles vêm as seis titânides, e é do cruzamento entre irmãos que sai toda a geração seguinte.
O casamento com Febe
O único acontecimento que a Teogonia atribui a Céos é o casamento, e ele basta para pôr o titã na raiz de duas linhagens importantes.
De novo, Febe veio ao abraço desejado de Céos.
Hesíodo, Teogonia 404 (trad. Hugh G. Evelyn-White, 1914)
Dessa união nascem Leto e Astéria. Leto será a mãe de Apolo e Ártemis; Astéria, a mãe de Hécate. Céos é, portanto, avô dos dois deuses de Delos e da deusa das encruzilhadas — três divindades que a religião grega tratava como muito distantes umas das outras, e que a genealogia junta num só ramo.
O que aconteceu depois
Céos lutou do lado dos titãs na guerra contra Zeus e foi atirado ao Tártaro com os irmãos derrotados. A Teogonia não o singulariza no relato da batalha — ele é um dos «titãs» coletivos, e essa impessoalidade é ela mesma o retrato dele na poesia.
Autores romanos dão a Céos uma cena a mais. Em Higino, ele é um dos titãs que escapam do Tártaro e atacam o Olimpo, sendo detido por Cérbero; e em Valério Flaco aparece acorrentado, arrastando as correntes. São desenvolvimentos tardios, sem paralelo grego — e por isso ficam registrados aqui como o que são, tradição posterior, e não como o mito antigo.
O nome que aparece uma vez e some
Céos é dos doze titãs, e o que se sabe dele cabe em duas linhas de Hesíodo — uma para nascer, outra para gerar. É pouco, e o pouco é o assunto desta seção.
Mas depois ela deitou-se com o Céu e gerou o Oceano de fundos redemoinhos, Céos e Crio e Hipérion e Jápeto, Teia e Reia, Têmis e Mnemósine, e a Febe de coroa de ouro, e a amável Tétis. Depois deles nasceu Cronos, o astuto, o mais novo e o mais terrível dos filhos dela, e ele odiava o pai vigoroso.
Hesíodo, Teogonia 132-138 (trad. Hugh G. Evelyn-White, 1914)
Ele entra em segundo lugar na lista, logo depois do Oceano. ★ E depois disso a Teogonia **não lhe dá um único gesto**: Céos não fala, não luta, não é nomeado na guerra contra Zeus. O que resta dele é a descendência.
O casamento que produziu duas linhagens decisivas
A união de Céos com a irmã Febe é curta no texto e enorme nas consequências.
De novo, Febe veio ao abraço desejado de Céos. Então a deusa, pelo amor do deus, concebeu e deu à luz Leto de manto escuro, sempre suave, gentil para os homens e para os deuses imortais, suave desde o princípio, a mais doce de todo o Olimpo. E gerou também Astéria de nome feliz.
Hesíodo, Teogonia 404-410 (trad. Hugh G. Evelyn-White, 1914)
De Leto vêm Apolo e Ártemis — metade da geração seguinte de olimpianos. De Astéria vem Hécate, a única titânide a quem Zeus confirmou todos os direitos antigos.
★ **Céos é o avô de Apolo, de Ártemis e de Hécate**, e não tem uma história própria. Ver Leto, Febe e Hécate. É a demonstração mais clara de uma regra da Teogonia: a maior parte dos titãs existe para ser genealogia, não personagem.
★ O que o nome dele quer dizer, e por que a resposta é honesta ser «não se sabe»
Koios, em grego, foi ligado por autores antigos e modernos a *koeo* — «perceber», «notar» —, o que faria dele um titã da inteligência ou da pergunta; a forma jónica *koion* aparece como sinónimo de «o que se pergunta».
⚠ **Isto é conjectura de etimologia, não fonte.** Não há passagem em Homero, em Hesíodo, em Apolodoro ou em Pausânias que diga o que Céos governava. Este site prefere registrar a lacuna a preenchê-la: a etimologia fica declarada como etimologia.
Apolodoro, séculos depois, também não acrescenta nada — repete a lista e a descendência.
Ora, aos Titãs nasceram filhos: ao Oceano e a Tétis nasceram as Oceânides; a Céos e a Febe nasceram Astéria e Latona; a Hipérion e a Tia nasceram a Aurora, o Sol e a Lua.
Pseudo-Apolodoro, Biblioteca 1.2.2 (trad. Sir James George Frazer, 1921)