PÁRIS — também chamado Alexandre — é o homem por causa de quem a guerra existe, e o poema que a conta quase não o leva a sério. Ele desafia Menelau para um duelo, perde, é salvo por Afrodite numa nuvem, e reaparece no quarto, perfumado. Heitor tem de o ir buscar.
O julgamento, e o que a fonte diz dele
O episódio pelo qual ele é conhecido — as três deusas, o pomo, a escolha — **não está na Ilíada nem na Odisseia**, a não ser por uma alusão de três versos no canto 24.
⚠ A versão completa vem dos *Cypria*, um poema perdido, e de mitógrafos tardios que **não estão no acervo conferível deste site**. Fica declarada como tradição: Hera oferece poder, Atena oferece vitória em combate, Afrodite oferece a mulher mais bela — e ele escolhe a terceira. Ver Hera, Atena e Afrodite.
★ O que **está** em Homero é a consequência, e Zeus a resume: a ira de Hera e de Atena contra Troia nunca abranda. **A Ilíada é, do princípio ao fim, o cumprimento de uma decisão que ela não narra.** Ver Éris.
★ O duelo que ele perde, e a nuvem
No canto 3, os dois exércitos param para que os interessados resolvam o assunto entre si: Páris contra Menelau, e a vencedora fica com Helena.
Menelau agarra-o pelo capacete e arrasta-o pelo campo. **A correia estrangula-o; ele está a segundos de morrer.** Então Afrodite rebenta a correia, envolve-o numa nuvem espessa e põe-no no quarto dele, perfumado.
★★★ **É a única vez na Ilíada em que um guerreiro é retirado do combate e depositado na própria cama.** E Afrodite vai buscar Helena à muralha e manda-a ter com ele — contra a vontade dela, com uma ameaça.
⚠ E a cena termina com Agamêmnon a proclamar a vitória de Menelau diante dos dois exércitos, e a pedir Helena de volta. **Tecnicamente, a guerra estava acabada.** Ver Helena e Agamêmnon.
O que o irmão diz dele
O julgamento moral sobre Páris, na Ilíada, não é do narrador: é de Heitor, e é dito na cara.
★★ **«Páris maldito, o mais belo de aspeto, louco por mulheres, sedutor: quem dera nunca tivesses nascido, ou tivesses morrido solteiro.»** E acrescenta que os troianos são covardes demais para o apedrejarem pelo mal que fez.
★ Ver Heitor. ⚠ E note-se o que Homero faz a seguir: **Páris concorda.** Responde que a censura é justa, que a beleza é um dom dos deuses e não se escolhe — e volta ao combate. **Ele não se defende; aceita o retrato.**
A morte dele fica fora da Ilíada. A tradição diz que foi ferido por uma flecha de Filoctetes, e que Enone, a ninfa que ele abandonara por Helena, se recusou a curá-lo. ⚠ Fora do acervo conferível.