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Ifigênia

IFIGÊNIA é a moça que foi chamada para casar e encontrou um altar. O engano é a parte pior da história: Agamêmnon manda buscá-la dizendo que Aquiles a pediu em casamento. E o desfecho tem duas versões, que a Antiguidade nunca reconciliou.

A razão do sacrifício

A frota está presa em Áulide, e o adivinho diz o preço. Ver Agamêmnon.

Mas, quando fizeram-se ao mar de Argos e chegaram pela segunda vez a Áulide, a frota ficou presa pelo vento, e Calcas disse que não poderiam navegar a não ser que a mais bela das filhas de Agamêmnon fosse oferecida em sacrifício a Ártemis; pois a deusa estava irada com Agamêmnon.

Pseudo-Apolodoro, Epítome 3.21 (trad. Sir James George Frazer, 1921)

★ **«A mais bela das filhas.»** O oráculo não a nomeia: descreve-a por um superlativo, e deixa o pai escolher qual das filhas é.

⚠ E a razão da ira é uma frase de caçador e uma dívida do avô — nada que a moça tenha feito. Ver Artemis e Nêmesis.

★ O engano: um casamento que não existe

Ela não é arrastada: é convidada. E o convite usa o nome do maior herói do exército.

Ao receber este oráculo, Agamêmnon mandou Ulisses e Taltíbio a Clitemnestra e pediu-lhe Ifigênia, alegando uma promessa sua de a dar a Aquiles por mulher em recompensa pelo serviço militar. Assim Clitemnestra mandou-a, e Agamêmnon pô-la junto ao altar e ia degolá-la.

Pseudo-Apolodoro, Epítome 3.22 (trad. Sir James George Frazer, 1921)

★★★ **Quem vai buscar a menina com a mentira é Ulisses.** Ver Ulisses — é a mesma competência que o poema elogia noutro lugar, aqui usada para levar uma criança ao altar.

⚠ E a mãe manda-a. Clitemnestra despacha a filha para o que julga ser um casamento com Aquiles — e é essa a raiz do que ela fará ao marido dez anos depois. Ver Agamêmnon.

As duas versões do desfecho

A frase seguinte de Apolodoro é a mais generosa da história — e é apresentada como uma entre duas.

…quando Ártemis a arrebatou para os tauros e a nomeou sua sacerdotisa, pondo um cervo no lugar dela no altar; mas alguns dizem que Ártemis a tornou imortal.

Pseudo-Apolodoro, Epítome 3.22 (trad. Sir James George Frazer, 1921)

★★ **Um cervo no lugar da menina.** É a substituição de última hora que a arte grega pintou mil vezes — e que Apolodoro apresenta ao lado de outra versão, em que ela simplesmente vira imortal.

⚠ **E a versão em que ela morre também existe**, em Ésquilo: o coro do Agamêmnon descreve a filha amordaçada, erguida sobre o altar «como uma cabra». **Este site guarda as três e não escolhe** — porque as três estavam no ar ao mesmo tempo, em Atenas, no mesmo século.

★ A versão do cervo faz dela sacerdotisa entre os tauros, no mar Negro, onde sacrifica estrangeiros — até o irmão aparecer. Ver Orestes.