CETUS é o monstro do episódio de Andrômeda: a coisa que o mar mandou quando uma rainha se gabou. Em grego chama-se kētos, que não é nome próprio — é a palavra para qualquer bicho enorme de mar. Este é o kētos com uma história, e é o único que virou constelação.

⚠ Cetus e cetos: um indivíduo e uma classe
Antes da história, a desambiguação — porque as duas páginas do site sobre isto tratam de coisas diferentes.
**Kētos** (plural *kētea*) é a palavra grega para o monstro marinho em geral: o que engole, o que arrasta navio, o que aparece quando o mar está com raiva. É disso que trata a página Cetea.
★ **Cetus, com maiúscula, é este aqui**: o indivíduo enviado contra a Etiópia. A palavra sobreviveu em português dentro de «cetáceo», que é o que os naturalistas fizeram dela quando precisaram de um nome para baleia.
Enviado, e por quê
A causa está numa frase que a mãe da vítima disse, e o mar respondeu com duas coisas ao mesmo tempo.
Pois Cassiopeia, mulher de Cefeu, rivalizara em beleza com as Nereidas e gabara-se de ser melhor que todas elas; por isso as Nereidas ficaram iradas, e Poseidon, partilhando a cólera delas, enviou uma inundação e um monstro para invadir a terra.
Pseudo-Apolodoro, Biblioteca 2.4.3 (trad. Sir James George Frazer, 1921)
★ **Uma inundação E um monstro.** Poseidon manda a água e manda o que vive nela. Ver Poseidon e Cassiopeia.
A negociação de Perseu é feita antes de ele encostar no bicho: mata o monstro se lhe derem a moça. Jurados os termos, cumpre. Ver Perseu e Andrômeda.
A constelação maior de todas
Vale registrar uma coisa que não é mito e é verificável: Cetus é, em área de céu, **a quarta maior das 88 constelações modernas** e a maior da região que os gregos associavam a esta história.
Ela ocupa o pedaço de céu que fica abaixo de Andrômeda e de Perseu — de modo que o monstro está, literalmente, **debaixo** da moça amarrada e do herói que desce sobre ele. ★ O grupo inteiro é uma cena montada no céu: mãe, pai, filha, herói e bicho, todos vizinhos.
⚠ A ligação entre esta história e o desenho no céu chega até nós por Higino e pelo Pseudo-Eratóstenes, que não estão no acervo de fontes conferíveis deste site. O que está — e é o que a página cita — é a história grega que a constelação comemora.
O que se vê no céu
Cetus é a quarta maior das 88 constelações modernas, e fica ao sul de Andrômeda e de Peixes — isto é, o monstro está **debaixo** da moça que ele veio devorar. Ver Andrômeda.
★★ E ela guarda uma estrela que espantou a Europa: **Mira**, «a maravilhosa». Ela desaparece e reaparece num ciclo de cerca de onze meses — e a descoberta disso, em 1596, foi a primeira prova de que o céu «imutável» de Aristóteles não era imutável.
⚠ **Esta seção não tem citação antiga, e é de propósito.** Uma constelação é duas coisas: uma história e um desenho. A história deste site sai sempre de uma fonte com endereço; o desenho não se cita — vê-se. O que está acima é o que qualquer pessoa confere olhando para cima, numa noite limpa, sem instrumento nenhum.