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Febe

FEBE era uma das seis titânides, filhas de Urano e Gaia. O nome dela significa «a brilhante», «a resplandecente», e é dele que vem o epíteto mais usado do neto: Febo Apolo. Casou-se com o irmão Céos e teve duas filhas — Leto, mãe de Apolo e Ártemis, e Astéria, mãe de Hécate. Numa tragédia de Ésquilo, Febe aparece como a terceira dona do oráculo de Delfos, que ela entrega de presente ao neto no dia do nascimento dele.

As filhas de Febe

Hesíodo trata Febe em duas linhas, e o que ele guarda é a descendência. As duas filhas dela puxam para os dois lados da religião grega: uma dará os deuses de Delos, a outra dará a deusa das encruzilhadas e da feitiçaria.

De novo, Febe veio ao abraço desejado de Céos.

Hesíodo, Teogonia 404 (trad. Hugh G. Evelyn-White, 1914)

Então a deusa, pelo amor do deus, concebeu e deu à luz Leto de manto escuro, sempre suave, benévola para os homens e para os deuses imortais, suave desde o começo, a mais gentil de todo o Olimpo. Deu à luz também Astéria de nome feliz.

Hesíodo, Teogonia 405 (trad. Hugh G. Evelyn-White, 1914)

É por essa linha que Febe se torna avó de Apolo e de Ártemis. E é por ela que se explica o epíteto: quando a poesia grega chama Apolo de «Febo», está usando o nome da avó como quem usa um sobrenome de família.

A terceira dona de Delfos

O prólogo das Eumênides, de Ésquilo, conta a história do oráculo de Delfos como uma sucessão pacífica — o que é notável, porque outras versões a contam como conquista à força, com Apolo matando a serpente Píton. Na versão de Ésquilo, a Pítia enumera as donas anteriores — a Terra, depois Têmis — e Febe é a terceira. O verso diz, com todas as letras, de onde vem o nome do neto.

E na terceira partilha, com o consentimento de Têmis e sem violência, outra Titânide, filha da Terra, Febe, tomou assento aqui. Ela o deu de presente de nascimento a Febo, que tem o nome dela.

Ésquilo, Eumênides 5 (trad. Herbert Weir Smyth, 1926)

O que vem em seguida é o gesto que faz de Febe uma figura e não só um nome de genealogia: ela dá o oráculo ao neto como presente de nascimento, e Apolo passa a se chamar Febo por causa disso. A tragédia está declarando, de passagem, que a autoridade de Delfos não foi tomada — foi herdada.

A confusão com a Lua

A partir da poesia latina, «Febe» passa a ser usado como nome da Lua, do mesmo modo que «Febo» virou nome do Sol. É um uso tardio e por analogia: como Apolo foi identificado com o Sol e chamado Febo, a irmã Ártemis foi identificada com a Lua e chamada Febe, tomando emprestado o nome da bisavó.

⚠ Vale separar as duas. A titânide Febe de Hesíodo não tem relação com a Lua: quem é a Lua na genealogia grega é Selene, filha de Hipérion e Teia. A sobreposição é de vocabulário poético, não de mito — e é a razão de o nome aparecer hoje numa lua de Saturno.

A coroa de ouro

Febe entra na lista dos doze com um adjetivo que só ela tem, e o adjetivo é sobre brilho.

Mas depois ela deitou-se com o Céu e gerou o Oceano de fundos redemoinhos, Céos e Crio e Hipérion e Jápeto, Teia e Reia, Têmis e Mnemósine, e a Febe de coroa de ouro, e a amável Tétis. Depois deles nasceu Cronos, o astuto, o mais novo e o mais terrível dos filhos dela, e ele odiava o pai vigoroso.

Hesíodo, Teogonia 132-138 (trad. Hugh G. Evelyn-White, 1914)

★ **«Febe de coroa de ouro».** O nome dela, *Phoibe*, quer dizer «a brilhante», «a pura» — e é o mesmo que Apolo herdará, no masculino: **Febo**. Ver Apolo.

A herança do nome não é acaso: Apolo é bisneto dela pelo lado de Leto. É a única linha da mitologia grega em que um epíteto atravessa três gerações e chega ao neto como se fosse título de família.

Delfos, e a terceira dona do oráculo

Ésquilo, na abertura das Eumênides, faz a sacerdotisa recitar a linha de sucessão do oráculo de Delfos — e é a lista de proprietários de um imóvel sagrado.

Primeiro Gaia; depois Têmis, filha dela; depois **Febe**, que o recebe sem violência; e Febe dá-o de presente de nascimento a Apolo, de quem é bisavó. ★ **Quatro donas, e três transmissões pacíficas** — o que é raro nesta mitologia.

⚠ Esta sucessão está no prólogo das Eumênides, e o site a resume em vez de a citar porque a passagem não resolve num locus único no corpus conferível. Ver Themis e Gaia, que são os dois primeiros nomes da lista, e As Erínias, que é a peça em que ela é recitada.

As duas filhas, e o que cada uma virou

A descendência de Febe é curta e desproporcional ao tamanho dela no poema.

Então a deusa, pelo amor do deus, concebeu e deu à luz Leto de manto escuro, sempre suave, gentil para os homens e para os deuses imortais, suave desde o princípio, a mais doce de todo o Olimpo. E gerou também Astéria de nome feliz, que Perses levou um dia à sua grande casa para ser chamada sua querida esposa.

Hesíodo, Teogonia 404-410 (trad. Hugh G. Evelyn-White, 1914)

★ **«A mais doce de todo o Olimpo»** é um superlativo que Hesíodo não repete para ninguém — e é dito de uma titânide, não de uma olímpica. Ver Leto.

A outra filha, Astéria, virou a ilha de Delos na tradição posterior: fugindo de Zeus, atirou-se ao mar em forma de codorniz e virou rocha. É nessa rocha que a irmã dela dará à luz Apolo e Ártemis — **uma tia que é o chão onde os sobrinhos nascem.**